Case · Logística · Indústria química

Três vezes por dia, sete pessoas
decidem o que a fábrica entrega.

E fazem isso cruzando planilhas, no olho, em quatro a seis horas por rodada. Este é o case de como essa decisão virou um motor que propõe o corte em minutos, com cada escolha explicada.

3×/dia rodadas de corte de pedido, todos os dias úteis, em três plantas
4 a 6h de sete pessoas da logística, em cada rodada, só para decidir
30 mil pedidos avaliados por lote, um a um, contra estoque e produção
Rev. 285 a planilha que decide hoje já passou por 285 revisões, e ninguém tem o mapa dela

O corte é a decisão mais cara da operação, e ela mora numa planilha

Toda indústria que vende mais do que consegue entregar faz o corte. É o momento em que alguém decide, pedido a pedido, o que sai hoje e o que espera: para qual cliente, com qual prioridade, de qual estoque, dentro de qual carga. Essa decisão define faturamento do dia, nível de serviço do mês e o quanto o caminhão sai cheio ou pela metade.

Na operação deste case, o corte acontece três vezes por dia. Sete pessoas da logística abrem planilhas de pedido, de estoque, de programação de produção e de política comercial, e levam de quatro a seis horas para chegar na resposta. Fazem bem. O problema não é a competência de quem decide, é o lugar onde a regra está guardada.

A regra que comanda a operação vive em fórmula de planilha e na memória de quem opera. Quando a pessoa sai de férias, a regra sai com ela.

Foi isso que encontramos quando abrimos a conversa. A planilha que faz o corte está na revisão 285. Cada revisão foi uma pessoa resolvendo um caso real, com uma fórmula a mais, e ninguém escreveu em lugar nenhum o que aquela fórmula significa. O conhecimento existe, só não é da empresa ainda.

Volume, aqui, não é o desafio. Trinta mil pedidos por lote é pouco para um computador. O desafio é reconstruir, com nome e exemplo, cada regra que hoje é implícita. Esse é o trabalho de verdade, e é por ele que o projeto começa.

O que fizemos: engenharia reversa da regra, antes de qualquer tela

A primeira fase não entrega software. Entrega um catálogo de regras: uma linha por regra, com nome, o que entra, o que sai, a fórmula que existe hoje na planilha e um exemplo numérico que o time do cliente reconhece. Cada regra sai da fase marcada em um de três estados, validada, a confirmar ou divergente, e quem valida é quem opera.

Esse catálogo é assinado. A partir dele, mudar uma regra deixa de ser conversa de corredor e passa a ser mudança de escopo, com impacto de prazo declarado antes de começar. Parece burocracia e é o contrário: é o que permite ao cliente cobrar prazo da gente com justiça, porque o alvo ficou escrito.

Junto do catálogo nasce o contrato de dados: cada informação que o motor consome, com origem, granularidade, dono e o que acontece quando ela vem errada. Nesta operação são 52 linhas de contrato, e tratamos como progresso real quantas delas já estão construíveis, não quantas tarefas foram marcadas como concluídas.

Depois do catálogo, o motor

O coração da solução é um motor de decisão determinístico, com uma interface na frente. Ele propõe o corte e a pessoa aprova ou ajusta. A operação passa de executada para orquestrada, e a decisão continua sendo humana onde precisa ser.

A regra de arquitetura é simples e a gente não abre mão dela: o que decide, transforma, valida ou explica é código versionado e testado. O orquestrador agenda, dispara e avisa, só isso. Lógica de negócio dentro de ferramenta visual é lógica que não dá para testar, não dá para auditar e não dá para entregar ao cliente no fim do contrato.

Ingestão Lê os arquivos de origem, aplica o schema esperado por fonte e carrega com carimbo de lote. Não corrige dado: marca o defeito e segue, para que ele apareça no painel em vez de virar número silenciosamente errado.
Refinamento Normaliza grafia, aplica o de para de cliente, item e unidade, e monta as tabelas que o motor consome. Não decide nada.
Motor As regras como módulos independentes e puros: entram tabelas, saem tabelas mais o log da decisão. Disponibilidade, prioridade, atendimento, remanejamento e montagem de carga, cada um com teste próprio.
Saídas Materializa o corte no banco carimbado com a versão do motor e a versão das regras que o produziram. Não recalcula nada.
Explicação Responde "por que este pedido foi cortado" lendo o log da decisão, sem modelo de linguagem no caminho. Resposta determinística, e nenhum dado do cliente sai do perímetro dele.

O motor não toca o banco, e é isso que o torna confiável

Essa decisão parece técnica demais para um case, mas é a que muda o resultado. Como o motor só recebe e devolve tabelas, dá para rodar um lote real de trinta mil pedidos contra ele em um teste, sem banco, sem servidor, sem orquestrador no meio. E dá para comparar o que ele produziu com o que a planilha produziu naquele mesmo dia.

O critério de aceite do motor é reproduzir um corte histórico real, com cada divergência explicada uma por uma. Não é "o cliente achou bom".

O que a empresa ganha além do tempo

O corte consumia seis horas por dia de cada uma das sete pessoas da logística. Em um ano de 250 dias úteis, são 10.500 horas gastas decidindo o que sai e o que espera.

Com o motor propondo o corte, a rodada virou quinze minutos de conferência, de uma ou duas pessoas. No mesmo ano, entre 63 e 125 horas.

Antes 10.500 h por ano · 7 pessoas × 6 h × 250 dias úteis
Depois 63 a 125 h por ano · 1-2 pessoas × 15 min cada × 250 dias úteis
Devolvidas à operação 10.375 h por ano, pelo cenário mais conservador · o equivalente a mais de cinco pessoas em tempo integral

É esse o tamanho da conta, e ela não vem de arredondamento: está escrita acima para quem quiser refazer. Ainda assim, devolver hora não é o que mais importa no ano seguinte.

A regra passa a ser da empresa

Escrita, versionada, com teste e exemplo. Quem opera continua dono da decisão, mas o conhecimento deixa de depender de uma pessoa estar disponível.

Toda decisão nasce auditável

Cada escolha do motor registra a regra aplicada, o valor, a justificativa, a hora, o que entrou e o que saiu. Auditoria deixa de ser arqueologia em planilha.

Corte reproduzível

Como cada corte guarda a versão do motor e a versão das regras, dá para voltar três meses e refazer exatamente a decisão daquele dia. Hoje isso não existe.

Dado ruim aparece em vez de sumir

As validações de integridade entre produção, estoque e pedido rodam antes do corte. Divergência vira alerta com nome, não resultado estranho no fim do mês.

Roda dentro da casa do cliente

Instalação no servidor dele, com backup e acesso definidos por nós. Nada de dado logístico em nuvem nossa, e nenhum dado enviado para modelo de terceiro.

O código é entregue

Repositório com histórico no fim do contrato, não um pacote exportado de ferramenta. Independência é parte da entrega, e está no contrato.

Se a sua operação tem isso, a conversa é a mesma

O corte de pedido é o exemplo. O padrão aparece em alocação de carga, em sequenciamento de produção, em aprovação de crédito, em liberação de pedido e em qualquer decisão que se repete muitas vezes por dia dentro de uma planilha que cresceu sozinha.

Os sinais

Existe uma planilha que ninguém pode perder. Uma pessoa específica precisa estar disponível para a operação rodar. A mesma pergunta recebe duas respostas diferentes em duas áreas. E quando alguém pergunta por que a decisão foi aquela, a resposta honesta é "porque a planilha fez assim".

Como começa

Começa pequeno e pelo lugar certo: uma rodada de descoberta sobre a decisão que mais dói, com as regras saindo para o papel antes de qualquer linha de interface. Em poucas semanas você sabe se o caminho é automatizar, redesenhar o processo ou simplesmente escrever a regra que nunca foi escrita. As três respostas valem, e duas delas são mais baratas do que software.

Qual é a decisão que trava a sua operação?

Conte em uma conversa de trinta minutos. Se o caminho não for o nosso, a gente diz isso também.

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